8 de jun de 2010

Eu tenho fé na força do silêncio

Eu sempre fui uma pessoa muito ansiosa com tudo. Minhas unhas da mão são prova disso. Acredito que isso ás vezes atrapalhava. E quando me sinto ansioso, vem um turbilhão de ideias na minha cabeça, fazendo ela virar uma bagunça só, eu gosto de me sentar e escrever. Seja no Lagarto, seja compondo minhas magníficas músicas ou seja no caderno púrpuro. Qualquer lugar é lugar. Desde que eu consiga "limpar" a bagunça".

Veio uma época da minha vida, em que eu me senti mais seguro de mim mesmo, criei mais auto-confiança, e isso, paradoxalmente, aconteceu depois do meu desastroso relacionamento com a Mari (com quem, finalmente, após alguns meses voltei a conversar sem ressentimentos). Com essa segurança, a minha ansiosidade desapareceu um pouco. Acho que foi por isso que abandonei um pouco o Lagarto. Quando sentia necessidade de escrever, eu recorria ao meu violão e a um caderno, e pronto. Ainda, no meio de toda essa história, tinha a Fernanda. Era tão bom não ser ansioso para falar com ela, não ficar ansioso nos dias que eu ia vê-la, ter a calma necessária para calcular as palavras que sairiam da minha boca quando eu estava com ela. E tudo isso eu devia a Mari. Um dia agradecerei a ela.

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Segunda da semana passada, recebi uma notícia muito ruim. Terça eu me sentia muito estranho. Andava conforme a direção do vento (e andava de cabeça baixa, olhando para o chão, coisa que eu não costumo fazer), meus olhos estavam estranhamente secos, sentia meu corpo entorpecido. Sorria falsamente para as pessoas, querendo aparentar que nada estava errado. Nem meu humor ácido-cômico-antissocial se fazia presente. Eu continuava com as mãos e pés atadados e uma mordaça na boca. Sempre foi assim, desde de o início. Qualquer coisa que eu fizesse, poderia colocar tudo a perder.

Quarta-feira eu acordei outra pessoa. Me sentia bem. Superei muito mais rápido do que imaginava. Me olhei no espelho de manhã cedo, e aquele meu velho e bom olhar profundo e com vida, típico da minha pessoa, havia voltado. Saí de casa rumo a faculdade, com meu inseparável mp3. A primeira música sorteada -"Be Here Now - Oasis". Sorriso estampado no meu rosto novamente e o assobio do Noel explodindo nos meus ouvidos. O melhor de tudo foi ter meu humor de volta.
Ironicamente, no mesmo dia, almocei com ela. Falei com ela numa boa, ajudei em um trabalho para a faculdade e tudo. Olhava para ela, e sentia como se estivesse olhando para uma amiga.

Mas tenho medo por dois motivos.
O primeiro: A fogueira se apagou, mas se tocarem uma boa dose de álcool na brasa ainda presente... Temos fogo novamente.
O segundo: Tem uma coisa que me incomoda ainda. Eu não falei diretamente com ela, e isso realmente me incomoda. Posso por tudo a perder ou a situação pode melhorar consideravelmente. Não gosto de desistir sem tentar, mas também não agirei sem antes pensar umas duzentas vezes no assunto.


"Cause love is noise and love is pain
Love is these blues that I'm singing again"
The Verve - Love Is Noise

Um comentário:

  1. Medo das conguências de sentimentos idênticos a esses que tu descreveu acima, com os meus.
    Não sei a lógica de tudo isso.
    também, nada importaria mesmo: eu continuaria me martirizando sem falar o que sinto por ele,
    mas pensando duzentas vezes [ao quadrado] no assunto.
    não me surpreendo se isso continuar assim pra sempre.
    tenso.

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